
O México é um país onde a morte não é tabu: é compreendida como uma transição. Com a morte do corpo as almas seguem em suas jornadas de evolução, mas anualmente têm permissão para visitar os vivos.
Para este encontro o país se veste em festa: espaços públicos e privados são decorados com muito esmero, flores e cores. Os cemitérios se convertem em palco de rituais intimistas e ao mesmo tempo, festivos. As almas devem ser recebidas com alegria e amor e em alguns casos, seus corpos precisam “tomar banho e mudar de roupa”.
O trabalho de documentação das celebrações nos cemitérios mexicanos teve início em 2014, em Oaxaca. Desde então, foram visitados cemitérios na Cidade do México (2015 – 2016), Pátzcuaro (2017), Tzintzuntzán (2018) e Pomuch (2019). Em cada uma das cidades visitadas foi possível observar diferentes práticas decorrentes de influência dos povos indígenas habitantes de cada região. Em comum, o sincretismo entre práticas dos povos pré-hispânicos e elementos e rituais típicos do catolicismo, sendo que em regiões com menor presença de povos indígenas, como a Cidade do México, nota-se a influência marcante de figuras típicas do Halloween.
Para este ensaio foram selecionadas imagens de momentos e locais distintos. Começando por Pomuch, no estado de Campeche, onde a população descendente dos maias se dirige ao cemitério cerca de uma semana antes do dia 02 de novembro para realizar o ritual de “limpeza de ossos”. Na sequência, alguns dos elementos utilizados na decoração dos túmulos na Cidade do México, Pátzcuaro e Tzintzuntzán. Estas duas últimas cidades, localizadas no estado de Michoacán, têm forte presença dos indígenas Purépecha. A seleção é finalizada com imagens noturnas, dos cemitérios iluminados, onde os familiares velam seus mortos e recordam e celebram suas vidas.
Mais do que a celebração mais popular do país, o Dia dos Mortos é reflexo do orgulho que o povo mexicano tem de suas origens, tradições e história.













