Todos os dias, entre 2h e 7h da manhã, dezenas de barcos carregados de açaí recém-colhido da floresta aportam na Baía do Guajará, mais especificamente nos arredores do mercado Ver-o-Peso. Como o fruto é muito perecível, as negociações de compra e venda são rápidas. Quando o sol aparece, a movimentação já é bem menor e os cestos empilhados vão aos poucos sendo levados de volta para os barcos. A poucos metros dali, também na área externa do Ver-o-Peso, a madrugada também é de muito trabalho para os vendedores de pescados. À medida que o dia vai raiando, o peixe e o açaí saem de cena, enquanto o mercado vagarosamente abre as portas: as bancas de tapioca e café armam suas mesas, as vendedoras de ervas começam a chegar, as frutas e verduras são devidamente exibidas para os clientes… Até que, por volta das 8h da manhã, a feira alcança plena atividade. O ensaio Amanhecendo no Ver-o-Peso busca apresentar fragmentos da rica visualidade que compõe um dos espaços mais emblemáticos da capital paraense. As imagens sugerem o passar das horas na madrugada de trabalho intenso dos vendedores, as mudanças na paisagem, o clarear do céu e suas nuances de cores.