
O mundo dos sonhos é a representação de nossos desejos e medos; uma válvula de escape da monotonia; ilha remota do solitário. Quando nossa vida começa a ficar cinza, os sonhos se tornam salva-vidas, com os quais podemos projetar nossos mais profundos anseios e esconder as fobias mais macabras. Esse mundo surreal, poético e profundo é a inspiração para muitas obras de arte, e a minha fotografia tem essa premissa.
A fotografia surrealista não é algo novo, vem se formando há alguns anos, mas tem sofrido um abuso que acontece muito hoje: o excesso de retoque e uso de elementos digitais. A minha fotografia é experimentação de campo, embora não esteja isenta do uso da tecnologia digital; no entanto, minha proposta visual vai além.
Há uma desconstrução dos sonhos; formar cenas com elementos difusos e escuros, e jogar com luzes e sombras; cada imagem tem sua narrativa, seu universo. A arte sempre nos faz experimentar algo, deve criar uma sensação de alegria, incerteza ou até mesmo repulsa.
As imagens nos provocam a refletir sobre como interpretamos nossas fobias e desejos, sobre como sucumbimos a elas ou a enfrentamos.












