Em algum momento de 2018, comecei a perceber que existiam muitas cadeiras abandonadas na rua. Cadeiras quebradas, inteiras, em lugares que teoricamente elas não deveriam estar, mas estavam. De plástico, de madeira, de escritório, de metal, carteiras estudantis, bancos, até sofás. Uma infinidade de assentos que não tinham mais uso, que foram apenas esquecidos ou então apropriados por pessoas que habitam o espaço urbano.
O que mais me atrai nesses objetos é o abandono, o deslocamento e também o quão triviais e invisíveis eles podem ser. Como as cadeiras foram parar ali? Quem se sentou nelas? De quais histórias elas fazem parte? Quem as abandonou?
Por que elas são trocadas tão facilmente? Por que elas são descartáveis?
São questionamentos que foram surgindo durante esse tempo que venho colecionando-as.
Hoje, esse projeto é uma grande junção de todos esses aspectos para mim e, certamente, ainda pode se transformar em outras coisas. O mais importante, eu acho, é perceber as coisas pequenas que existem na cidade e passam
despercebidas no nosso dia-a-dia. Procurar cadeiras solitárias é um exercício de aguçar a visão.
Cadeiras Solitárias é uma coleção em andamento.
Caroline Macedo
Natal – RN
Artista visual Fotógrafa Outra(s) atividade(s)