“Enfim, Estamos em Círculos” apresenta uma série de 7 fotografias de grande formato que investigam a plasticidade do corpo negro em movimento no tecido urbano de São Paulo.
Ao reativar a genealogia dos Parangolés de Hélio Oiticica no Elevado Presidente João Goulart (Minhocão), a obra estabelece um curto-circuito temporal: utiliza o mesmo cenário da década de 70 para instaurar o corpo negro como suporte, tela e monumento. A série transmuta o espaço público em território de memória e celebração, onde o corpo-movimento reivindica sua centralidade na história da arte brasileira.
A relevância do projeto reside na fricção entre a iconografia das vanguardas brasileiras e a urgência das narrativas contemporâneas de visibilidade negra.
Ao ocupar o CCSP — um espaço de resistência histórica e arquitetônica — com imagens capturadas no Minhocão, a proposta tensiona o conceito de “dentro e fora”, trazendo a performance da rua para o rigor do suporte Fine Art.
O ineditismo se manifesta na abordagem técnica da artista, que utiliza a fotografia para congelar a fluidez do Parangolê, transformando o efêmero em documento histórico.
O projeto dialoga com o interesse cultural do CCSP ao promover uma arqueologia visual da negritude no centro paulistano, tratando a migração e a presença negra não como estatística, mas como estética e potência.