
Quarta-feira, noite do jogo. O fetiche como porta de entrada para um amor que transcendeu a rotina, entre idas e voltas, por quase 20 anos. Ele escolhia o que fazer para o jantar, eu a lingerie; nesses preparativos secretos e sazonais, encontrávamos o extraordinário no cotidiano de um quase… relacionamento.
Lust Nights é o recorte documental e confessional desses momentos, o registro íntimo de um amor que viveu o auge da cumplicidade. As fotografias surgiram instintivamente: são cruas, tremidas, mal iluminadas, materializando a autenticidade de cada segundo.
A intimidade não é explícita ou pornográfica; é revelada nos detalhes – nas nuances do olhar, nos gestos despretensiosos e nos recortes das cenas inspiradas pela busca da verdade como no trabalho de Nan Goldin, umas das minhas inspirações.
Esta série, inédita, propõe uma imersão na minha memória afetiva, transformando o fim de um grande amor em uma tentativa de cura pessoal. Uma exposição como ponto final. Um gesto que eterniza a memória e desafia a linha tênue entre o público e o privado ao convidar o espectador ao voyeurismo cúmplice.
Em contraste com a superficialidade digital, Lust Nights oferece a beleza da intimidade não filtrada, na valorização da imperfeição como marca da autenticidade.
Minha trajetória na arte urbana mostra que o privado pode e deve ir para o espaço público. Ao expor essa história, fecho um ciclo pessoal – o fim desta relação – fazendo um convite para o debate sobre afeto e memória no cenário contemporâneo.
O projeto Lust Nights é constituído de 27 obras inéditas em fotografia e 1 vídeo de 1min e 46sg, Vida Íntima.













