No início da pandemia, entediada pelo isolamento comecei a fazer registros de cenas cotidianas, cenas desimportantes, e nelas percebi meu desejo secreto de estar em outro lugar. O chão de tábua corrida, a água que pinga no meu chuveiro, todas pequenas coisas eram uma lembrança de onde eu não poderia estar. Essa época nos trouxe a dimensão de nossa fragilidade, da impermanência de tudo, da presença da incerteza, e mais do que nunca, do nosso profundo desejo por liberdade.